A casa da avó Beu ficou a preto e branco...

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Uma família refugiada de Angola em 1974 construiu, com o que tinha, uma casa de madeira em Leiria, acreditando sempre que seria temporária – que um dia voltariam. Vieram anexos, sempre “para durar pouco”. Mas a vida ficou. Anos depois, o filho fez família e foi construída uma casa de tijolo – frágil, mas mais resistente. Era a casa dos avós e do tio. Entretanto, com a morte do avô, passou a ser só a casa da avó Beu e do tio Rui. No dia 28 de Janeiro, a tempestade levou tudo. Debaixo de lonas ficaram apenas algumas mobílias e o resto do que sobrou. A casa da avó Beu ficou a preto e branco... Nos Outeiros da Gândara, na Rua de Cima, já não há casa da avó Beu – há apenas ruínas. A avó Beu e o tio estão agora em casa do JP, que odeia mudanças, mas faz tudo pela família. E, para aguentar, ele conta os pesadelos ao seu confidente: o Aimar, que os guarda e que assim se esquecem.


... In 1974, A family refugee from Angola built, with what they had, a wooden house in Leiria, firmly believing it would be a temporary home – because one day they would return. Adjacent parts were added always for an ‘impermanent’ future. But life stayed where it was. Years later, the son had his own family and built a brick house – still fragile, but more resistant. It was the ‘grandparents and uncle’ house. Meanwhile, with the passing of the grandfather, it became the ‘House of granny Beu and Uncle Rui’. On January 28, the huge storm took everything. Under the tarps only a few pieces of furniture left and ruins of fractured remains. The house of Granny Beu was left in black and white… In ‘Outeiros da Gândara’, in the Rua de Cima, there is no more a House of Granny Beu – there are only ruins. Granny Beu and the uncle are now living with JP, who hates changes of routine, but will do everything for his family. And, to bear all of it, he confides to Aimar his nightmares -- so that Aimar can keep them, and they can be forgotten.

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