Sou resiliente. Mas também me canso.
Sou uma pessoa resiliente.
Sempre fui.
Aprendi a levantar-me mesmo quando a vida pesa. Aprendi a sorrir mesmo quando dói. Aprendi a ser forte, mesmo nos dias mais difíceis.
Mas há uma luta que travo há muitos anos — a luta contra a endometriose.
Uma doença que, muitas vezes, me faz refém do meu próprio corpo.
Um corpo que deveria ser o meu abrigo, mas que tantas vezes se transforma numa prisão de dor, cansaço e limitações.
Há dias em que consigo enfrentar tudo.
Há dias em que respiro fundo e sigo em frente.
Mas também há dias em que a dor me vence.
Dias em que o cansaço é maior do que a força.
Dias em que, em silêncio, me pergunto até quando vou aguentar.
A endometriose não é apenas física. Ela mexe com a mente, com as emoções, com a autoestima. Rouba energia, rouba planos, rouba sorrisos.
E mesmo sendo resiliente… há dias em que desistimos.
Há dias em que nos sentimos pequenas perante algo tão grande.
Há dias em que simplesmente queremos parar de lutar.
Mas eu não quero ficar refém para sempre.
Não quero viver limitada pela dor.
Não quero apenas sobreviver — quero viver.
A cirurgia representa esperança. Representa qualidade de vida. Representa a possibilidade de recuperar o controlo do meu corpo e de voltar a sorrir sem que o sofrimento esteja escondido por trás.
Mas preciso de ajuda para conseguir dar esse passo.
Hoje falo com coragem, mas também com verdade.
Sou forte. Sou resiliente.
Mas também sou humana.
E preciso de apoio para continuar esta luta.
Obrigada por estarem comigo.

