Olá, o meu nome é Marta.
Não sei se alguma vez alguém vai ler isto e nem sei sequer se o mereço mas vou tentar.
Não sou alguém com cancro nem tenho uma doença terminal mas tive uma vida que quase terminou. Vou contar-vos tudo.
Tive de crescer muito rápido pois aos 5 anos, como os meus pais tinham de trabalhar o dia inteiro, ficava sozinha com a minha avó. Avó essa que tinha demência e da qual tinha de tomar conta quando deveria ser o contrário. Vejo crianças de 5 anos de hoje e não sei como o consegui fazer e mais uma vez, tive de crescer muito rápido.
Juntando a isso, desde muito cedo fui vítima de bullying na escola. Não me lembro de um ano escolar em que não o tenha sido. Talvez no 1°.
Era vítima de bullying por ser muito magra. Algo que eu não podia mudar pois era genético. Fui chamada de todos os nomes e mais alguns desde anorética até palito. Empurravam-me, batiam-me e alguns rapazes simulavam atos sexuais comigo para me envergonhar.
Tornei-me uma pessoa muito introvertida e muito desconfiada de tudo e de todos. Vivi sempre em alerta e em estado de stress com medo do que viria a seguir.
Quando finalmente tive a minha primeira relação amorosa, a primeira vez em que baixei as minhas defesas, ao final de 1 ano de namoro tudo mudou e tornei-me vítima de violência doméstica.
Violência psicológica, física e emocional. Fui manipulada até ao limite e afastada de toda a gente. Até, quando consegui sair da relação, ter de apagar redes sociais, mudar de contacto e nunca poder andar sozinha na rua pois essa pessoa perseguia-me.
Passaram 10 anos.
E nestes 10 anos veio a depressão. Veio a ansiedade. Veio a ideia de que não valia a pena estar cá se era para sofrer. Porque é que as outras pessoas tinham vidas tranquilas e eu não me lembrava de 1 ano bom na minha vida?
Tentei encontrar a paz. Tentei acabar com tudo. Mas tive a sorte de me cruzar com alguém que me levou a procurar ajuda. Fiz doses cavalares de medicação mas melhorei.
Hoje sobrou apenas a ansiedade e por vezes alguns pensamentos menos bons. Mas estou melhor.
E agora que estou melhor, acredito que finalmente mereço algo de bom.
Quero comprar a minha casa. Ter o meu espaço. O meu refúgio. Mas Portugal não é um país para cumprir sonhos e tudo continua a ser difícil.
Preciso de algum dinheiro para a entrada de uma casa. Qualquer coisa ajuda.
Desculpem o texto longo e obrigada por lerem sobre a minha vida.
Organizer
Marta Pereira
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