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Sou enfermeira há mais de 20 anos e sempre cuidei de outras pessoas com amor e compaixão.
Hoje, enquanto luto contra um cancro da mama, sou eu quem precisa de ajuda.
Sou a Flávia, tenho 43 anos, sou enfermeira e mãe de uma menina de 4 anos, que é a minha maior fonte de inspiração.
Quando estamos saudáveis vivemos, trabalhamos e cuidamos dos outros sem imaginar que, de forma tão abrupta, tudo pode mudar. De repente passamos para o outro lado e vemos o nosso mundo virar-se do avesso.
Com o diagnóstico de carcinoma da mama invasor, fui obrigada a entrar em baixa médica, o que reduziu o meu rendimento para cerca de 55% do salário. Não foi algo que procurei. Pelo contrário, sempre quis continuar a trabalhar. Mas sendo enfermeira e estando a realizar tratamento no hospital onde trabalho, não havia outra opção.
Quero também dizer algo que considero importante. Sou profundamente grata ao Serviço Nacional de Saúde e à ciência. Sei que tive a sorte de viver numa época em que existem tratamentos que aumentam muito as hipóteses de cura. A imunoterapia trouxe-me cerca de 95% de esperança na probabilidades de recuperação, e é com essa esperança que continuo a lutar.
A minha família é constituída por mim, pela minha filha, pelo meu marido, que trabalha a recibos verdes na área do desporto, conforme as oportunidades que surgem, pela minha sogra, de 69 anos, que vive connosco e não tem rendimentos, e pelo nosso cãozinho, chamado Flecha.
Mesmo tendo tentado evitar a baixa médica, a realidade do tratamento acabou por impor limites muito difíceis. Durante os cinco meses de quimioterapia tive cinco infeções. Houve dias em que a força simplesmente desaparecia. Passei longos períodos na cama, ora a dormir, ora a tentar convencer-me de que iria conseguir aguentar, que tudo isto era apenas temporário.
Houve momentos que nunca esquecerei. Dois dias depois do primeiro tratamento fui ao quintal tentar apanhar um limão e percebi que não tinha força para o arrancar. Tive dificuldade em pegar numa garrafa de água de 1,5 litros. Via as pessoas na paragem do autocarro a ir trabalhar, e eu, que sempre trabalhei e queria continuar a fazê-lo, simplesmente não podia.
Foi uma sensação muito dura de aceitar. Subi as escadas e, no corredor da entrada, escorreguei pela parede, sentei-me no chão e chorei como nunca tinha acontecido antes. O sentimento de impotência invadiu-me, sem qualquer tipo de reflexão. Apesar de todo o otimismo e resiliência com que aceitei o diagnóstico e o tratamento, aquele momento, tal como a ida ao bloco operatório, no dia 25 de setembro de 2025, para colocar o cateter central no pescoço — foram verdadeiros embates com a doença.
Recordo também que o facto de ter realizado uma ecografia mamária em fevereiro de 2025 me deu uma falsa sensação de segurança, levando-me a acreditar que aquilo que comecei a sentir um mês depois seria algo benigno. Estava simplesmente sem tempo para procurar investigação médica.
Ao mesmo tempo que enfrentamos a doença, surgem muitas despesas que não são comparticipadas: medicamentos para infeções, produtos dermatológicos e capilares para os efeitos da quimioterapia, suplementos alimentares para evitar a desnutrição, protetores solares específicos, cuidados de saúde íntima feminina e outros produtos necessários durante o tratamento.
São despesas constantes que surgem não por escolha, mas por necessidade.
A ideia desta campanha não nasceu de mim, mas de uma amiga enfermeira muito especial que acompanha doentes oncológicos e conhece bem estas dificuldades. Na altura fiquei muito sensibilizada, mas durante os meses de quimioterapia não tinha sequer cabeça para pensar nisso.
Só agora, ao olhar para as despesas acumuladas e para o impacto que a doença teve na nossa vida, percebi que talvez fosse importante aceitar a ajuda da comunidade.
Continuamos a lutar e a procurar soluções para manter a estabilidade da nossa família, mas durante este período de tratamento qualquer apoio pode fazer uma diferença real.
Se puder contribuir, qualquer valor será uma ajuda preciosa.
E se não puder contribuir, partilhar esta campanha já fará uma enorme diferença.
A minha filha é a minha maior força, e é por ela que continuo a lutar todos os dias.
Nunca pensei vir a pedir ajuda desta forma. Depois de mais de 20 anos a cuidar de outras pessoas como enfermeira, custa-me muito estar deste lado. Mas neste momento, enquanto enfrento este tratamento e continuo a lutar pela minha saúde e pela minha família, qualquer gesto de solidariedade pode fazer uma grande diferença.
Obrigada do fundo do coração a todos os que lerem a minha história, a quem puder ajudar e a quem simplesmente a partilhar. Cada gesto de solidariedade dá-nos mais força para continuar esta luta.
Com gratidão e muito amor,
Flávia
Se muitas pessoas contribuírem com apenas 5€ ou 10€, já fará uma enorme diferença.
Mesmo que não possa contribuir, partilhar esta campanha já será uma grande ajuda.
Organizer
Flávia Da Costa e Silva
Organizer






