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A Ana Catarina Barros Sousa tem 22 anos, é uma jovem com autismo leve a moderado e Estudante com Necessidades Educativas Especificas a frequentar uma licenciatura em Artes Plásticas e Tecnologias Artísticas no IPVC.
Já no infantário, onde iniciou intervenção precoce, gostava de desenhar borboletas e nessa altura já tinha um traço avançado para a sua idade. No ensino básico, onde fez parte da educação especial, ia desenhar para a biblioteca, durante os intervalos, onde os colegas observavam os seus desenhos. Era conhecida pela “menina dos desenhos bonitos”. No ensino obrigatório sempre apostamos na área vocacional dela, o desenho, por isso seguiu Artes no ensino regular. Apesar de ter tido adequações curriculares significativas na maior parte das disciplinas, sempre se destacou melhor no Desenho A onde teve a segunda melhor nota da turma. Quando conclui o 12 ano não consegui compreender o motivo pelo qual não podia seguir para o ensino superior como os colegas, sentiu se triste porque queria continuar a seguir artes, mas os exames nacionais não são adaptados ao perfil dela. Mesmo assim não desistimos de procurar uma solução para que conseguisse realizar o seu sonho. Descobrimos “uma luz ao fim do túnel”. Nesse mesmo ano (2021) tinha saído o regulamento interno no IPVC, o Estatuto de Estudante com Necessidades Educativas Especificas. Vimos ali uma esperança para a Catarina. Primeiro teve de seguir um curso Ctesp na Escola Superior de Educação, o curso de Ilustração e Produção Gráfica para depois conseguir, finalmente, entrar para a Licenciatura em Artes Plásticas e Tecnologias Artísticas.
Como não consegue utilizar transportes públicos devido à sobrecarga sensorial, foi atribuído, durante o curso CTESP, apoio de transporte particular e acompanhamento por uma assistente pessoal em sala de aula.
Esse apoio foi transformador. A assistente pessoal ajudava a Catarina a encontrar locais mais tranquilos, como a biblioteca, enquanto aguardavam que a cantina estivesse menos lotada para depois almoçar, pois não conseguia suportar o barulho e muito movimento na cantina. A Assistente pessoal também a acompanhava no processo de integração com os colegas, foi nesse período que, pela primeira vez, conseguiu criar amizades na turma. Também o motorista que assegurava o transporte de táxi particular, mostrou grande sensibilidade à situação, tornando a viagem diária mais acessível e tranquila. Graças a ambos, a Catarina sentiu pela primeira vez o verdadeiro significado de inclusão. E isto tudo contribui para o seu sucesso académico durante o Ctesp na Escola Superior de Educação onde teve uma média de 15 no curso Ctesp. Desta forma conseguiu, finalmente, atingir o seu sonho, através de concurso interno de titulares Ctesp, entrar para Licenciatura em Artes Plásticas e Tecnologias Artísticas.
Infelizmente, após a mudança de direção na ESE, os apoios dos quais beneficiou durante o curso Ctesp foram suspensos . Apesar de várias tentativas da família, (envio de emails a pedir para renovar os apoios e marcação de reuniões) o pedido de transporte particular foi recusado. Foi nos dito para fazer o pedido de transporte particular na Câmara Municipal da área de residência, onde tivemos uma resposta negativa. Foi entregue um atestado médico a comprovar que a Catarina não consegue deslocar-se em transporte público devido à enorme sobrecarga sensorial que isso lhe provoca, mas a instituição não teve esse documento em conta.
No ano letivo anterior, apenas foi possível garantir a frequência do curso graças ao apoio de uma fundação bancária, que apoia causas sociais, que atribuiu uma verba mensal para o transporte. Este ano, esse apoio não pôde ser renovado. Foi nos dito que atribuíram a verba de forma excecional não podendo ser renovada novamente.
Além da Catarina, tenho outro filho menor com necessidades educativas específicas, que também depende do meu acompanhamento diário.
É de lamentar que uma jovem com o Estatuto de Estudante com Necessidades Educativas Específicas tenha de recorrer à solidariedade de uma fundação bancária porque o Estado atribui o estatuto, mas não garante os apoios necessários para que esse direito seja aplicado com equidade. Infelizmente, o ensino superior em Portugal não está coberto pela legislação da educação inclusiva.
Além destas dificuldades, a Catarina enfrenta vários problemas de saúde:
- Foi diagnosticada com uma doença rara na mama, um adenoma no mamilo e aguarda cirurgia no Hospital de Braga.
- É seguida em Neurologia no Hospital de São João, no Porto, devido a problemas de saúde a nível neuro musculares
- Faz fisioterapia regular devido a contraturas musculares e escoliose.
Apesar de todos estes obstáculos, a Catarina mantém-se firme no objetivo de concluir a sua formação artística e seguir carreira nas Artes Plásticas.
É por isso que criámos esta campanha para que a Catarina consiga concluir a licenciatura.
O que precisamos:
- Apoio para transporte particular até à Escola Superior de Educação em Viana do Castelo
- Acompanhamento em sala de aula quando necessário
Como pode ajudar:
- Qualquer contribuição, por mais pequena que seja, fará uma enorme diferença na vida da Catarina.
- Se não puder contribuir financeiramente, pode ajudar muito partilhando esta campanha.
Porque deve apoiar:
- A Catarina é um exemplo de força e resiliência. Mesmo enfrentando autismo, problemas neurológicos, contraturas musculares, escoliose e uma doença rara, não desiste do seu sonho. Com a sua ajuda, ela terá a oportunidade de continuar a estudar e de construir o futuro que deseja nas Artes
Muito obrigada a todos os que puderem contribuir ou partilhar esta causa.

