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Acho que é o fim
Sou a presidente desta associação
e escrevo com as mãos a tremer:
acho que é o fim.
Cinco anos a lutar contra tudo,
cinco anos a salvar vidas que ninguém quis,
cinco anos a segurar nos braços gatos moribundos
e dar-lhes uma segunda oportunidade.
Cinco anos de noites sem dormir,
de correrias aos veterinários,
de pedir ajuda mesmo quando já não tínhamos voz.
Mas este mês…
este mês matou-nos por dentro.
Um surto devastador de panleucopenia,
bebés mortos,
adultos com sondas,
vidas penduradas por um fio.
E nós, as voluntárias,
estamos exaustas.
Sem forças.
Com lágrimas nos olhos.
Com a sensação de que o barco se afunda
e já ninguém o consegue segurar.
A nossa dívida subiu para 18.635,27 €.
Um número que me faz tremer as mãos ao escrever.
Nunca estivemos tão enterradas.
Nunca foi tão pesado.
- Veterinário São João (setembro): 1.506,74 €
- Hospital (segunda quinzena setembro): 4.083,81 €
- Veterinário Vale de Cambra (setembro): 6.319,79 €
- Veterinário Oliveira de Azeméis (setembro): 6.724,93 €
Estes números não são apenas dívidas.
São vidas.
Mas agora os veterinários não podem continuar sem pagamento.
E nós não conseguimos pagar.
Eu, enquanto presidente, escrevo isto com um nó na garganta.
As voluntárias estão cansadas,
desgastadas,
a chorar.
Já não há quem segure este barco.
Já não temos forças.
Já não sabemos o que fazer.
Fechar portas já não é uma ameaça distante.
É uma realidade iminente.
Fechar portas significa desistir deles.
Parar de recolher.
Condenar vidas.
E isso mata-nos por dentro.
Se alguma vez confiaram em nós,
se alguma vez sorriram ao ver um dos nossos resgatados feliz,
entendam:
esta é a última chamada.
Ou nos ajudam agora.
Ou fechamos.
E se fecharmos…
centenas de gatos perdem a última esperança.
Cada euro, cada partilha, cada gesto
é um sopro de vida para nós.
Hoje não escrevemos um apelo.
Escrevemos um grito de desespero.
Porque realmente,
acho que é o fim.





