Um Novo Lar-A New Home (Fábio Martins)

(ENGLISH VERSION BELOW)

“E aqui estou...

   Antes de mais devo dizer que tentei sempre  fugir de expor a minha situação, não por vergonha mas por achar que não tinha esse direito. No entanto, talvez seja aqui que encontre a tão desejada e necessária solução para um problema que já dura há muitos anos. O meu nome é Fábio Fernandes Martins, tenho 27 anos e preciso urgentemente de ajuda!

  Clamo por empatia e sensibilidade. Sou portador de uma doença rara, hereditária e degenerativa. Eu herdei essa doença da minha mãe, que nesse momento encontra-se numa cadeira de rodas, porque ela tem as duas pernas partidas. A nossa doença (Miopatia Centronuclear) afeta os músculos, que vão-se deteriorando irreversivelmente com o passar do tempo. No meu caso, apesar de todas as dificuldades inerentes à doença, agradeço ao Universo por ainda conseguir andar! No caso da minha mãe é um pouco mais difícil, pois ela é mais dependente dos outros para a execução de gestos básicos (levantar-se da cama, tomar banho, sentar-se na sanita, ir para a cama, sentar na cadeira de rodas).

O meu pai, que era o "saudável na nossa vida" e que ajudava a minha mãe, infelizmente foi diagnosticado com um cancro maligno no esófago, encontrando-se a fazer tratamentos desde há pouco mais de um ano. Porém, apesar das limitações vamo-nos complementando uns aos outros na medida das nossas possibilidades. Eu resido com os meus pais na casa que era deles. Em decorrência da falta de emprego, foi-nos impossível cumprir com o pagamento da prestação do crédito de habitação. Como consequência, a nossa casa foi vendida pelo tribunal em Novembro de 2019. Não abandonamos a casa voluntariamente por não termos para onde ir. Eu fiz um pedido de habitação social à Câmara Municipal de Sintra, mas a solução que nos foi proposta não se adequa às nossas necessidades e limitações. É  compreensível em certa medida, pois por muito que a Câmara quisesse, não tem casas disponíveis para todas as pessoas e muito menos casas adaptadas para todas as pessoas com deficiências. Visto que não entregámos a casa voluntariamente, o tribunal marcou uma data para o fazermos. Essa data foi suspensa pelo tribunal devido ao estado de emergência sanitária provocada pelo Coronavírus.

   Devido à suspensão do prazo de entrega do imóvel, o novo proprietário (sabendo do nosso estado de saúde) mandou cortar a água (uma forma de obrigar-nos a sair). Devo dizer que percebo o novo proprietário, pois ele comprou essa casa para a rentabilizar (foi uma imobiliária que adquiriu a casa). Como todos nós somos doentes de risco (face à covid19), nenhum de nós sai de casa, a não ser o meu pai que sai uma vez por semana para fazer quimioterapia. Viver sem água é praticamente impossível, sobretudo num momento de pandemia em que o conselho primordial é o respeito das regras de higiene. Esta situação fez com que ficássemos mais expostos ao covid19, porque nem o meu pai pode tomar banho quando vem dos tratamentos, nem eu posso meter a roupa que ele usou a lavar em água quente. O vídeo que aqui partilho é de 2016, quando eu já tinha esgotado todas as minhas opções e eu já não sabia onde pedir ajuda. Sendo assim, tendo em conta toda a complexidade da situação, o meu pedido de ajuda é para conseguir comprar uma casa que seja adaptada às nossas limitações, e para que eu possa dessa forma ficar livre para viver. Confesso que os últimos anos não foram os melhores, quase que morri interiormente. Mas dentro de mim ainda existe vida! Peço por favor a vossa ajuda, ajudem-me a voltar a viver.”

(English Version below)

“Here I am

 First and foremost, I would like to express that, initially, I avoided exposing my situation through here, not because of embarrassment, but because I did not feel I had the right to. However, maybe it’s through here where the solution for a problem that has been occurring for many years can be found. My name is Fabio Fernandes Martins, I am 27 years old and I desperately need your help!

 I beg your empathy and sensibility.

I am a carrier of a rare hereditary and degenerative disease, which I inherited from my mom who is currently in a wheel chair. Our disease is called Centro nuclear Myopathy; it affects the muscles, making it deteriorate irreversibly overtime. In my case, despite the inherent difficulties of the disease, I am thankful to still be able to walk. In my mom’s case its more difficult, she is still dependent on others to execute basic actions such as leaving the bed, taking a bath, sitting in the toilet, sit in the wheelchair, go to bed, and so forth.

 My father, who was the ‘’healthy person’’ and the one who helped my mom, unfortunately has been diagnosed with esophageal cancer and is currently undergoing treatment, for the past year. We try to help each other out as much as we can despite our limitations.

 I live with my parents in the house that used to be theirs. As a result of unemployment, it was impossible for us to keep up with the provision of housing credit payments. Consequently, our house was sold by the court in November of 2019. We didn’t leave the house voluntarily because we didn’t have where to go.  I asked the Municipal Chamber of Sintra for social housing, but the solutions presented did not meet our limitations; for as much as the Chamber wanted, there isn’t enough social houses for everybody, let alone houses that are accessible for the disabled. So, since we did not leave the house voluntarily, the court has ordered a date for us to do so. This date was suspended by the court due to the current situation of Covid-19.

 
Because of the suspension of the court ordered date to leave the house, the new owner of the house (knowing about our health condition) cut off the water (a way of forcing us out). I have to say that I understand the new owner’s perspective, he bought the house in order to rent it and make money (a real estate company are the ones who bought the house). Since my parents and I are all high risk (Corona virus), none of us leave the house, besides my father who goes for chemo therapy once a week. Leaving without water is practically impossible, especially in a time of a pandemic where self-hygiene is vital. This situation has exposed us even more to the virus, because not even my father can take a bath when he comes from his treatments, neither can I put his clothes on hot water.

 The video I share here is from 2016, when I had run out of all options and didn’t have where to ask for help. Taking into account the complexity of the situation, I use this platform as my last resort to desperately ask for your help. To help us buy a house that is suitable to our limitations, and so that we may live. I confess that the last few years weren’t the best, I almost died inside. But deep down life still exists! So implore you to please help us however you can, so that we may live again.”

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Fábio Martins

Reportagem exibida em 20.05.2020 no Telejornal da noite.

https://www.rtp.pt/noticias/pais/familia-de-sintra-com-doencas-graves-em-risco-de-ser-despejada_v1230504

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