Ele bateu. Ele humilhou. Ele ficou. Eu tive de fugir.

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Ele bateu. Ele humilhou. Ele ficou. Eu tive de fugir.

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Sou mãe de dois filhos, um deles com perturbação da comunicação. Durante anos vivi numa relação marcada por violência emocional, económica e física. Tentei sair várias vezes, mas o medo, os filhos e a esperança de mudança mantiveram-me presa.

Em 2023, após perder um bebé e ouvir que não me tinha esforçado o suficiente para o manter, percebi que já não podia continuar. Fiz queixa, iniciei processos legais, mas a justiça tem sido lenta — e enquanto espero, continuo a pagar por tudo.

O agressor ficou na casa que era de ambos, vive às minhas custas, recusa vender ou deixar-me comprar a parte dele. Tenho suportado todas as despesas da casa, dos serviços, da alimentação, sem qualquer ajuda consistente. Os contratos de água, eletricidade e telecomunicações continuam em meu nome, e ele nunca os transferiu. O meu advogado deu-lhe prazo até ontem para o fazer voluntariamente — porque se eu desligasse os serviços antes, ele poderia alegar má fé e manipular a narrativa, como tantas vezes fez.

Estou sobreendividada. Há três meses que ele não paga qualquer fatura nem envia dinheiro para a prestação do crédito. Este mês, não recebi ordenado devido ao processo de mobilidade entre câmaras. Só receberei vencimento em setembro e, até lá, tenho de sobreviver sem rendimentos e ainda restituir 363€ à câmara anterior.

Fui obrigada a fugir, dormir em hostels, pedir ajuda à família, mudar de cidade e recomeçar do zero. Os meus filhos foram arrancados do que conheciam, e eu tive de pedir mobilidade no trabalho para garantir segurança.

Quando tentei recolher os meus bens, fui humilhada pelas autoridades. Não me deixaram levar brinquedos do meu filho com autismo, nem comida, nem objetos básicos. Fui tratada como agressora, apesar de ser vítima.

Mais tarde consegui recuperar os meus pertences. Não todos os pedaços de mim, mas muitos deles. Cada caixa, cada saco, cada objeto é uma pequena vitória contra o silêncio, contra o medo, contra a injustiça. E agora, com tudo isso de volta, começo a reconstruir não só a casa — mas a vida.

Mas não posso parar por aqui. Criei uma petição para que se altere a legislação e a forma como são tratados os casos de violência doméstica em Portugal.

Petição: Pela Inversão do Procedimento em Casos de Violência Doméstica — Agressores Fora de Casa, Vítimas Protegidas

Propomos que seja o agressor a ser removido do domicílio, com acompanhamento psicológico obrigatório e acolhimento em espaços próprios. A casa deve continuar a ser da vítima. A segurança, o apoio emocional e a estabilidade não podem ser retirados a quem já sofreu.

Esta petição visa quebrar o ciclo de violência e promover uma sociedade mais justa, segura e empática.

Hoje vivo com dívidas, sem estabilidade, a tentar reconstruir uma vida segura para mim e para os meus filhos.

Preciso de ajuda para pagar despesas básicas, recuperar estabilidade e garantir que os meus filhos tenham um lar digno.

Cada contribuição, cada partilha, é um passo para a liberdade.

Obrigada por leres. Obrigada por estares comigo.

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