- A
PT.
O meu nome é Lola. Ando com uma câmara desde os 16 anos. Filmo porque há coisas que não consigo dizer de outra forma.
"Fora do Balanço" nasceu de algo que não me saía da cabeça as imagens das florestas queimadas em Portugal. Centenas de quilómetros de eucaliptos reduzidos a cinza, e por trás desse silêncio, comunidades inteiras deixadas sem nada. Sem compensação. Sem visibilidade. Apenas um formulário burocrático numa secretária limpa, e mãos enegrecidas de fuligem do outro lado da mesa.
Esse contraste partiu qualquer coisa dentro de mim.
O filme acompanha Inês, uma jovem que regressa à aldeia que abandonou, e à sua mãe Amélia, cujas mãos carregam todos os anos de trabalho que o Estado nunca reconheceu. É uma história sobre culpa, sobre distância, sobre o que acontece quando dois mundos que foram uma vez a mesma família já não se conseguem compreender.
É também, creio, o meu filme mais pessoal. Porque sei o que é partir. Olhar para trás e sentir o peso do que não protegemos.
Estou a angariar fundos para que este filme possa existir de forma digna, honesta, com o cuidado que a história merece. Cada euro vai diretamente para o aluguer de equipamento, a equipa em Portugal, a pós-produção e o design de som. Não há grandes orçamentos aqui. Apenas uma equipa pequena, uma história forte, e a convicção teimosa de que estas vidas merecem ser vistas.
Se isto vos tocou, mesmo que um pouco, considerem contribuir. Qualquer valor importa. E se não puderem dar, partilhem. Isso também importa.
Obrigada por estarem aqui.
ENG.
My name is Lola. I've been carrying a camera since I was 16. I film because there are things I can't say any other way.
"Fora do Balanço" was born from something I couldn't stop thinking about the images of burned forests in Portugal. Hundreds of kilometres of eucalyptus turned to ash, and behind that silence, entire communities left with nothing. No compensation. No visibility. Just a bureaucratic form on a clean desk, and hands blackened by soot on the other side of the table.
That contrast broke something in me.
The film follows Inês, a young woman who returns to the village she left, and to her mother Amélia, whose hands carry every year of labour the state has never acknowledged. It's a story about guilt, about distance, about what happens when two worlds that were once the same family can no longer understand each other.
It's also, I think, my most personal film. Because I know what it is to leave. To look back and feel the weight of what you didn't protect.
If this touched you, even just a little, please consider contributing. Every amount matters. And if you can’t donate, sharing this also makes a difference.
Thank you for being here.






