Uma cadeira elevatória para eu entrar em casa

Chamo-me Ulika. Sou uma Angolana Lisboeta em Portugal. Vim para Portugal tinha 15, 16 meses. A minha primeira casa foi neste bairro de Santa Maria de Belém. Vivi 2 meses na Rua do Embaixador sem nunca ter podido habitar a casa. Fui para a Madragoa. Tentei comprar a casa e fui a todos os Bancos, bati a todas as portas e todas se me fecharam, não pelos Bancos, mas pelas Seguradoras.
Então voltei para  Santa Maria de Belém. Eu Sou uma Mulher, uma Profissional de Comunicação, uma Nadadora Amadora, uma doente de Drepanocitose SS também designada por Anemia de Células Falciformes. O nome consegue ser mais bonito que a doença. Que é genética. Africana. Negra. Escrava. Os falantes de inglês denominam-na por células em lua em quarto minguante, as sickle sells como podes ver nesta reportagem da CBS  que torna o sangue mais espesso de modo a que o mosquito da Malária não pique. Esta foi a forma como o corpo humano do negro Africano reagiu para se defender dos males da escravatura, tornando-se mais fortes e mais resistentes ao trabalho forçado e às longas horas ao Sol.
A doença é hereditária e as Ulikas da vida foram buscar as células falciformes do pai e da mãe, ficando assim comprometida a tarefa de levar o oxigénio para os pulmões, pois estes atropelavam-se, entupiam os vasos sanguíneos e não deixavam passar o sangue que não conseguia fazer o seu trabalho: transportar o oxigénio para os pulmões e o dioxido de carbono para o resto do corpo. Nisto causavam dolorosas tromboses, deixando de ter a capacidade de serem ágeis para, ao invés, asfixiarem os vasos sanguíneos criando crises vasoclusivas que, aos poucos, vão enfraquecendo o esqueleto, criam debilidade, cansaço, fadiga, dor crónica, incapacidade de permanecer em locais de maior altitude, em zonas costeiras onde o grau de humidade é maior, em zonas onde as temperaturas são ou muito frias ou muito quentes. O maior dos temores é a tendência para o doente fazer AVC precoces ou embolias cerebrais. Não viverei muito, mas ambiciono viver trabalhando, produzindo, esforçando-me, criando, formando-me e informando-me.
E se a doença não me deixa fazer esforços, pois eu toda a vida me esforcei. Na escola fugia do hospital para ir fazer os testes, saí directamente da Prova de Aferição para a ambulância, mas não deixei de fazer a prova. Tive 86%.No trabalho, ia à noite para o hospital de onde saía contra parecer médico para ir trabalhar. Nada me foi dado. Tenho 30 anos de Santa Maria. Escrevo-vos do alto destas minhas escadas, por dentro desta cinta lombar para vos pedir que me ajudem a ficar aqui, com o terço que o meu tio Lázaro Trovoada me trouxe da Palestina e o carinho com que a minha titi Julieta me ensinou a rezar.
Aos Angolanos Lisboetas, aos Transmontanos Lisboetas, aos Goeses Lisboetas, aos Minhotos Lisboetas, aos Alentejanos Lisboetas, aos Trispeiros Lisboetas, aos Parisienses Lisboetas, aos Europeus, Africanos, Americanos, Asiáticos e cidadãos do Mundo em Lisboetas e, obviamente, aos Lisboetas de Portugal e do Mundo:Veja o vídeo @ucadeiraelevatória e... Por favor, ajudem-me!

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